Júlia Lemmertz acompanhou, desde sua infância, todas as inovações tecnológicas do cinema, teatro e TV, no início acompanhando o trabalho de sua mãe, a atriz Lilian Lemmertz, e depois através de sua própria carreira. A paixão por atuar aconteceu devagar, há seu tempo, mas veio para ficar.
. Você vem de uma família muito ligada a arte, sua mãe (Lilian Lemmertz) foi uma grande atriz. Como você via o teatro e a profissão de atriz na sua infância?
. Nós somos do Rio Grande do Sul, de Porto Alegre, e viemos para São Paulo quando a Cacilda Becker e o Walmor Chagas trouxeram a Companhia de Teatro para cá. Muitos gaúchos vieram "importados" através da Companhia, incluindo meus pais. Toda minha infância, adolescência e o início da minha carreira profissional foram em São Paulo. Sou uma gaúcha meio paulista. O ambiente do teatro era o meu ambiente, os amigos da família eram grandes atores, diretores, escritores e intelectuais. Mas por ser um ambiente tão próximo, ele não me despertava o fascínio que normalmente desperta nas pessoas, eu via o teatro, a profissão de ator, de uma maneira diferente, mais simples.
. Seus personagens sempre foram muito diversos. Você acha isso bom, não ter um perfil definido?
. Acho ótimo e acredito mesmo que sou uma atriz que não se encaixa em um perfil definido. Começa com meu tipo físico que é muito misturado, com brasileiro, índio, alemão. Isso me possibilitou atuar nas mais diversas situações, ser mocinha e ser bandida, não ficar dentro de um padrão. Isso é muito bacana para o ator, gera crescimento, faz amadurecer o ato de interpretar.
. Agora temos uma nova tendência de mercado que é a era digital, na televisão e no cinema. Você já teve alguma experiência com essa nova forma de gravar?
. Na televisão não sentimos muita diferença ao gravar, são diversas câmeras e o processo é o mesmo. É um ritmo de trabalho mais intenso, mais rápido, onde você pode se permitir não ter as condições ideais o tempo todo, pois isso não interfere no produto final. É uma produção intensa, quase industrial. No cinema é diferente, tem aquela coisa mais demorada, tudo é mais minucioso. Acabei de gravar um filme em digital, e é outra história, o processo é muito diferente. A câmera é menor, não tem mais a preocupação em pegar o foco, medir a luz. Confesso que eu gosto de fazer cinema com aquela câmera enorme, carrinho, trilhos, gente medindo a luz, espera, tudo isso faz parte da magia do cinema, mas tenho consciência de que isso vai acabar. A era digital vem para ficar, mas vou ficar com saudades... (risos).