O sabor do chocolate pode ser intenso, a textura cremosa e a temperatura muito alta. Para essa combinação ficar ideal adiciona-se uma paisagem de montanhas, o frio dos Alpes e uma acolhedora cafeteria, quase colonial, cheia de estilo e de muitas histórias.
O clima pode mudar e nos levar até os trópicos. A temperatura se eleva e se rende aos encantos do astro rei. A paisagem é à beira mar, a taça se aproxima quase a zero grau, a textura continua cremosa e o chocolate seduz pela sensação deliciosamente refrescante.
A paisagem pode ser em qualquer lugar, a temperatura assume nenhuma importância, a ocasião se resume a qualquer uma e temos, assim, a hora ideal para abrir aquela desejada embalagem que contém a barra de chocolate preferida, delícia garantida em todas as situações.
Ao longo do tempo o chocolate foi incorporado as mais diversas receitas, desde um simples, mas não menos delicioso brigadeiro, até as mais sofisticadas receitas idealizadas por grandes chefs internacionais. Licor, frutas secas, castanhas, mel, especiarias, são apenas alguns ingredientes que tornam seu sabor ainda mais especial e ajudam a confirmar, com quase unanimidade, a paixão por essa delícia que ultrapassou fronteiras e conquistou os quatro cantos do mundo.
Histórias e mistérios dessa delícia exótica.
O cacaueiro, árvore de cujo fruto, o cacau, produz-se o chocolate, tem sua origem na bacia do rio Amazonas, no Brasil, e na região do Orinoco, na Venezuela, e data de mais de quatro mil anos. Pesquisas históricas revelam que foi a civilização Maia, na Península de Yucatan, no México, a primeira a utilizá-lo como alimento, no século VII.
O mérito pela sua descoberta e chegada na Europa cabe ao conquistador espanhol Hernán Cortez, que chegou ao México com supostas intenções de desenvolvimento. Para os astecas, o xocolatl era uma bebida sagrada, um alimento dos deuses, consumido durante rituais religiosos. Relatos do Imperador Montezuma dizem que Cortez, ao provar da bebida, disse que o seu sabor era forte, agridoce e amargo.
Em seu retorno à corte espanhola, Cortez levava grãos de cacau para o rei Carlos V, introduzindo o fruto em território europeu. O conquistador espanhol ficou impressionado com o valor atribuído aos grãos de cacau pelos astecas, que os utilizava como dinheiro, talvez daí se origine a expressão dinheiro dá ou não em árvores.
Durante um período de aproximadamente 100 anos, a Espanha monopolizou o comércio de grãos de cacau, e foi também nesse país que o gosto pelo chocolate quente foi absorvido pela aristocracia européia e, posteriormente, pela população em geral.
O encanto dos alfajores e dos ovos de chocolate.
O sabor do chocolate inspirou suas mais diversas formas de utilização, em receitas que ocupam espaço de destaque desde a gastronomia tradicional até suas vertentes mais modernas. São suflês, delicadas coberturas, bebidas e acompanhamentos que recebem o toque mágico e revelam as diferentes faces desse sabor tão especial. Para os mais tradicionais, uma maneira de saborear o chocolate em receitas pode ser experimentada em delicados alfajores, doces típicos em países como Argentina, Peru e Uruguai, que consistem em rechear biscoitos com doce de leite e cobri-los com uma camada de merengue e três de chocolate, que pode ser tanto ao leite como o chocolate branco.
Durante a Antigüidade, persas e egípcios tingiam ovos e presenteavam seus amigos. Para esses povos, o ovo simbolizava o nascimento, já que os persas acreditavam que a Terra havia surgido de um ovo gigante. Os cristãos do oriente davam ovos coloridos na Páscoa, o que simbolizava a ressurreição de Cristo. Nos países europeus, era costume escrever datas e mensagens nos ovos e presentear os amigos. Nesse período, eles não eram comestíveis, sendo utilizados ovos de galinha ocos. Ao longo do tempo eles foram substituídos pelos de madeira, prata e ouro e decorados com pedras preciosas, até chegar às delícias de chocolate como as conhecemos hoje.
Curiosidades...
. As saborosas barras de chocolate foram inventadas por volta de 1847. A fábrica de chocolates inglesa Fry and Sons, que mais tarde associou-se à famosa Cadbury, passou a produzir chocolate doce em barras para comer, obtido da mistura do cacau moído com a manteiga dele extraída, e adicionando-se a isso açúcar. A partir de então, inúmeras fábricas de chocolate surgiram ao redor do mundo, tornando-se possível criar sabores que agradam a todos os gostos como o doce, ao leite, o amargo, com nozes, licor e o que mais a imaginação permitir.
. O gosto por chocolate talvez possa ser explicado pelo seu elevado consumo ao redor do mundo. Para que se tenha uma idéia, um cidadão inglês consome, em média, nove quilos de chocolate por ano, seguido por alemães e americanos que consomem sete e seis quilos anuais, respectivamente. No Brasil, o consumo não chega a superar um quilo por ano.
. Estudos publicados em algumas revistas científicas revelam que consumir um pedaço de chocolate preto por dia provoca melhoras no fluxo arterial, além de beneficiar a saúde vascular. Em fumantes, a atividade celular nas paredes das artérias e nas plaquetas intervém na coagulação sangüínea, e isso faz com que as artérias fiquem mais suscetíveis ao estreitamento e endurecimento que caracterizam as doenças coronarianas. Foram feitas análises que concluíram que o chocolate preto reduz pela metade o funcionamento das plaquetas, além de aumentar os níveis de antioxidantes.
. Nos cuidados com a saúde, não existem pesquisas comprovando que o chocolate provoca acne. Alguns trabalhos foram desenvolvidos para tentar comprovar o fato, mas nada garante que essa delícia seja uma vilã. O chocolate, assim como alguns tipos de chá e o café, é composto por substâncias que agem diretamente no cérebro. Essas substâncias são a cafeína, a tiramina e a teobromina, que ajudam nas funções cardíacas e renais, além de aliviarem o cansaço intelectual.